Começo a escrever, como se pudesse exorcizar os demônios e os anjos...
O dia em que nasceu Aquelamenina era dia feliz!
Mas a caixa d'água da pequena e alta cidade caiu.
Os olhos eram azuis e o nariz arrebitado, Aquelamenina era branca como o vazio. Coração sensível e caixinha de lágrimas maior que o necessário.
Os jardins eram seus lugares preferidos para as brincadeiras imaginárias e os arbustos cheirozos, da casa sem cor, se transformavam em amigos e lugares. Nesse tempo Solidão era bem vinda.O cheiro de manjericão vindo da cozinha da casa,. roncava sua barriga de fome.Na casa sem cor moravam o Herói e a Mulherbonita, Herói era gentil, engraçado e encantador.
Aquele lugar era feliz e mágico! A única coisa chata era comer melancia com sal e às vezes dormir depois do almoço.
Vestido xadrez de vermelho e verde, meias 3/4, sapato colegial.Era assim a roupa que Aquelamenina vestia para ir ao lugar de aprender. Mulheres com roupas brancas, um tipo de véu e cara de malvadas causavam um pouco de medo em Aquelamenina. Mas, a moça bonita com nome engraçado era gentil e atenciosa.
O cheiro da massa de modelar hipnotizava.
As mulheres de branco colocavam as crianças de castigo.
E as crianças andavam com botões pregados nos vestidos xadrez. Eram botões vermelhos, verdes ou amarelos. Os vermelhos eram usados pelas crianças burras - era assim mesmo que se dizia - os verdes, pelas crianças menos burras e os amarelos pelas crianças inteligentes.
O botão de Aquelamenina sempre foi o amarelo. Ela morria de medo de ser burra!
Tinham também que rezar. E quase todas as coisas que as crianças faziam eram pecados.
No dia que tinha sonho recheado de goiabada e soda limonada, quem não tivesse dinheiro não podia comer.
Mas todo mundo rezava antes de só alguns comerem os sonhos e beberem a soda limonada.
Era muito chato quando Aquelamenina não tinha o dinheiro.A merenda da lancheira não era tão gostosa quanto o sonho de goiabada que as crianças que tinham dinheiro comiam.
As mulheres de branco ensinavam que deus era bravo e castigava crianças desobedientes.
Ainda bem que Aquelamenina era obediente!Ela morria de medo de ir para o inferno.
Aquele lugar era um pouco amedrontador.
Na grande seringueira da casa azul havia bezouros enormes. As margaridas rodeavam as cercas brancas da casa azul. Aquelamenina passava horas capturando joaninhas em caixinhas de fósforos. Depois de contadas, as joaninhas ganhavam novamente a liberdade.
Na casa azul, moravam 6 pessoas: M, P, V, W, F e Aquelamenina.
M era muito ocupada (vassouras e pratos), P era difícil estar (garrafas), V não era amiga, W amigo, F chorava muito e Aquelamenina tinha medo (de quase tudo).
No quintal da casa azul, o cheiro era de terra e churrasco.As brincadeiras eram com V e W, F era pequeno demais!
Um pé de café. Era embaixo dele que as galinhas botavam ovos.
Dentro da casa azul de madeira, a cozinha era vermelha e sempre tinha cheiro de bolo.
Couros de boi serviam de tapetes da sala.
Do quarto de Aquelamenina, nenhuma recordação.
Eu já gosto de Aquelamenina e consigo me identificar com algumas coisas, coisas que o filme "O fabuloso destino de Amelie Poulan" fabulosamente conta de forma bastante sensível.
ResponderExcluirGosto do olhar de Aquelamenina, do seu jeito astuto e da percepção além do que se pode ver.
Tiago Ortaet
Penso que conheço Aquelamenina ou já a conheci um dia!
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